quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Beneditina: a única opção?

Por Mary Rezac [*]
Diante de uma cultura secularista cada vez mais hostil, alguns católicos estão escolhendo formar pequenas comunidades de fiéis separadas — de diferentes maneiras — do “mundo”.
Quando Josh e Laura Martin, ambos convertidos para a fé, mudaram sua crescente família de seis da cidade de Dallas, Texas, para as colinas de Oklahoma, eles não tinham plena consciência que estavam participando da “Opção Beneditina”.
“Inicialmente, só queríamos sair da cidade e criar nossa família em um ambiente mais protegido e mais sossegado”, disse Josh à CNA.
“Com todas as famílias por aí procurando pela mesma coisa, ficamos atraídos pela ideia e a colocamos em prática”.
Eles se mudaram para ficar perto da abadia beneditina em Clear Creek, Oklahoma, onde dezenas de outras famílias de todo o país se reuniram ao longo dos últimos 15 anos ou mais.
Receoso da direção em que a moral da sociedade moderna parece estar se dirigindo, eles vieram em busca de um ritmo mais lento e uma vida mais litúrgica com uma comunidade de outros católicos de mentalidade semelhante. Muitos aldeões participam da missa diária antes das 7 da manhã com os monges e da tradicional missa em latim aos domingos. O mosteiro serve como o centro da comunidade, os monges como um exemplo real da vida religiosa para os jovens.
O jornalista Rod Dreher tem o crédito de ter nomeado esse fenômeno como a “Opção Beneditina”, um termo inspirado no último parágrafo do livro do filósofo Alasdair MacIntyre, After Virtue, no qual ele escreveu sobre a espera de “outro, sem dúvida muito diferente — São Bento”. Este novo beneditino ajudaria a construir “formas locais de comunidade dentro das quais a civilidade e a vida intelectual e moral podem ser sustentadas através da nova era das trevas”.
Assim como Bento procurava escapar da decadente e progressivamente anticristã Roma, famílias como os Martins estão mirando as colinas de Oklahoma para escapar da sociedade secularista de hoje, onde os valores cristãos são vistos como cada vez mais estranhos ou até hostis ao status quo. Eles estão perturbados por tendências como a legalização do casamento gay, a crescente popularidade da ideologia do gênero ou pela retração da liberdade religiosa.
Em seu novo livro, “A Opção Beneditina”, Dreher chama as novas tendências e valores sociais de “O Dilúvo” e argumenta que os cristãos não podem mais lutar contra o dilúvio — eles devem descobrir uma maneira escapar e preservar sua fé para as gerações vindouras.
“(…) Os cristãos americanos terão que chegar a um acordo com a dura realidade de que vivemos em uma cultura, na qual nossas crenças fazem cada vez menos sentido. Nós falamos uma linguagem que o mundo se indispõe a ouvir cada vez mais ou acha ofensiva aos seus ouvidos”, ele escreve.
“A idéia é que os conservadores cristãos sérios não podem mais viver vidas ordinárias na América, devemos desenvolver soluções criativas e comunitárias para nos ajudar a manter nossa fé e nossos valores em um mundo cada vez mais hostil a eles”.
Comunidades como aquelas que cercam a abadia de Clear Creek parecem ser os exemplos mais óbvios da “Opção Beneditina”, seus estilos de vida lembram as aldeias que cresceram em torno dos mosteiros beneditinos na Europa há séculos. No entanto, Dreher amplia a definição para incluir outras formas de comunidades cristãs, como aquelas que se formam em torno de escolas clássicas, como a St. Jerome’s school em Hyattsville, Maryland. O fenômeno também está ocorrendo não apenas entre os católicos, mas também entre os cristãos protestantes e ortodoxos.
Mike Lawless, sua esposa Kathy e seus filhos tomaram conhecimento pela primeira vez da comunidade que cercava Clear Creek quando moravam em San Diego. Eles faziam parte de um grupo homeschooler, e moravam na periferia da cidade, tão longe da agitação da cidade quanto possível.
Mas quando um amigo lhes falou sobre as famílias que se mudavam para perto da abadia de Clear Creek, toda a família de seis (em breve sete) adorou a idéia da novidade e da aventura de se mudar para as colinas de Oklahoma, então eles fizeram as malas e se mudaram.
“O que estávamos procurando era uma cultura mais saudável”, disse Mike à CNA. Ele queria criar seus filhos em um ambiente que não fosse tão fortemente influenciado pela prevalecente cultura secularista.
Quando Josh e Laura Martin se mudaram em 2007, eles estavam esperando seu quinto filho. Eles também estavam procurando um lugar melhor para criar sua família.
Foi difícil no início. O solo da abadia de Clear Creek não é dos melhores para a agricultura. Josh tentou dar mudar dos trabalho administrativo para o braçal, mas acabou não funcionando.
“Eu simplesmente falhei miseravelmente, queimei todo meu dinheiro, aprendi muitas lições valiosas que eu não trocaria por nada”, disse Josh. “Depois de 4-5 anos, nós percebemos que precisavamos fazer algo que sabiamos como fazer”.
Ele agora está em um cargo de gerencia em uma empresa de equipamentos médicos na região e as coisas estão bem melhores. Da mesma forma, Mike Lawless tentou tornar uma prioridade viver da terra. Mas depois que suas tentativas em agricultura e pecuária estavam indo em uma “direção que não era positiva”, ele teve que reduzir seus projetos agrícolas e retornar ao trabalho que conhecia, que era engenharia mecânica.
“Essa visão romântica foi destruída lá rapidamente quando nos mudamos”, disse Mike.
A maioria das famílias na região não subsiste somente da terra, mas há poucas opções de trabalho na cidade. O Instituto de Excelência em Escrita, dirigido pelo aldeão de Clear Creek ,Andrew Pudewa, emprega algumas pessoas na área. Outros, como Mike, fazem muito do seu trabalho remotamente. Ainda outros fazem a jornada diária para Tulsa para trabalhar.
Apesar dos sacrifícios, o isolamento geográfico é um aspecto importante da opção Beneditina para muitos de seus adeptos.
“Sendo em uma área rural, onde você não está tão distraído com o barulho e o ritmo da cidade, é um pouco mais quieto e esse silêncio dá-lhe a oportunidade de apreciar (a temporada litúrgica) melhor”, disse Laura Martin à CNA.
“Há poucas distrações e isso é útil, eu penso em me concentrar em tentar recuperar a cultura que perdemos ou as conexões que perdemos em nossas vidas atarefadas, de modo que esse elemento nos ajudou realmente a crescer em nossa fé”.
Mas uma das principais críticas à opção Beneditina decorre dessa idéia de separação, tanto cultural como geográfica. Como os fiéis podem evangelizar, como eles são conclamados a fazer, se insolarem-se em comunidades de pessoas já convertidas em colinas rurais remotas?
“Não é uma comunidade insular”, insiste Josh, “mas é uma espécie de retiro porque as forças culturais são tão esmagadoras que é difícil para mim imaginar (…) tentando criar minha família nesse ambiente, então, em algum lugar desse espectro está a opção Beneditina”.
Os Martins estão conscientes dos perigos de se tornarem muito insulados. Eles enviam dois de seus filhos para a escola pública, e eles deixam seus filhos jogar futebol em uma liga local, o que os fez terem muitos amigos locais não-católicos. Mas nem todos na aldeia concordam com isso, ou com outros assuntos. O uso da T.V. e da Internet varia amplamente entre as famílias, assim como as opiniões sobre se as mulheres devem usar qualquer coisa além das saias (e de que comprimento essas saias devem ser), ou quanto de contato é mantido com o mundo exterior.
Os Martins tiveram o cuidado de especificar que eles falavam apenas por si mesmos.
‘Aqui é muito perigoso falar pela comunidade, porque … não há uma abordagem unificada, há muitas diferenças”, disse Josh.
Mas o que existe é um forte senso de comunidade e um desejo de viver a fé católica. Quer se trate de funerais, casamentos, chás de bebês, danças, festas — quase todos estão envolvidos, disse ele.
“Os casamentos são uma loucura completa”, disse Josh, rindo. Os chás de bebês podem às vezes incluir entre 60 e 70 mulheres. Quando uma nova família chega, todos correm para ajudá-los a fazer a mudança e se instalar.
“Há um enorme senso de coesão”, disse ele. “Sua vida fica bem entrelaçada com a comunidade. Existe uma forte identidade de ser definitivamente católico que seria muito difícil sair daqui”.
E a vida paroquial?
Para muitos católicos, deixar suas vidas e se mudar para Oklahoma (ou perto de outros mosteiros) simplesmente não é uma opção. O alicerce mais básico da comunidade católica e da sociedade disponível para eles é a sua paróquia local.
Dreher escreve sobre a importância de viver na proximidade de sua paróquia, para que ele possa estar mais facilmente no centro da sua vida. Mas os cristãos ainda devem avaliar se sua paróquia local está ensinando a verdadeira fé, ou se ela foi corrompida pela cultura secularista.
“As mudanças que tomaram o Ocidente nos nossos tempos modernos revolucionaram tudo, mesmo a igreja, que já não enaltece a alma mas alimenta o ego”, escreve Dreher.
“Como a teóloga anglicana conservadora Ephriam Radner disse: ‘Não existe um lugar seguro no mundo ou nas nossas igrejas para ser cristão. É uma nova época.’”
Certamente a vida paroquial teve mudanças consideráveis nos Estados Unidos. Quando as ondas de imigrantes católicos chegaram no século XIX e início do século XX, encontraram estabilidade e uma comunidade em sua paróquia local no Novo Mundo, muitas vezes etnicamente segregada. Muitas vezes condenados ao ostracismo por sua fé em outras áreas da sociedade, eles olharam para a sua paróquia não só como uma fonte para os sacramentos, mas como um lugar para se encontrar com amigos, promover encontros e festas, como uma segunda família em que se possa apoiar.
A sociedade já mudou. À medida que os católicos se tornaram mais aceitos na sociedade dominante, eles não mais olhavam para sua paróquia como sua única fonte de convívio. E à medida que os laços étnicos tornaram-se mais soltos, a necessidade de os católicos poloneses irem para a paróquia polonesa, por exemplo, diminuiu. O centro do catolicismo, uma vez na costa leste, deslocou-se para oeste enquanto as pessoas se mudavam para fora das cidades.
Mas enquanto as coisas mudaram, isso não significa que paróquias promissoras não possam ser encontradas hoje, disse Claire Henning, diretora executiva da Parish Catalyst, um grupo que estuda o que faz as paróquias prosperarem.
“Eu me tornei mais consciente de como eu sempre percebi uma paróquia como uma edificação — mas na verdade não é isso, é um ecossistema vivo e pujante que se expande e se contrai dependendo de quem está lá”.
Para o seu recente livro, Great Catholic Parishes (Grandes Paróquias Católicas), William Simon, fundador do Parish Catalyst, identificou quatro características das paróquias prósperas: liderança compartilhada entre clérigos e leigos, uma variedade de programas de formação, uma ênfase no domingo e a liturgia e evangelização para as pessoas tanto dentro quanto fora das dependências das igrejas.
Uma das principais questões que essas paróquias prósperas estão constantemente se perguntando é: “Como falamos a linguagem do Evangelho para as pessoas de hoje?”, disse Henning. “Então, você precisa de pessoas que são intelectuais influentes para pensar nisso”.
A paróquia de St. Mary em Littleton, Colorado, é uma dessas paróquias, com cerca de 1.800 famílias registradas, uma fé Católica Romana Ortodoxa e uma vida comunitária próspera.
“O objetivo é ser uma família de famílias”, disse Linda Sherman, diretora de vida familiar e serviço para a paróquia.
“O que estamos procurando é apoiar as famílias em todas as suas diversas nuances e épocas, para apoiá-las na fé católica, e enquanto crescem em sua fé e se aproximam de Deus”.
Pode ser difícil criar um senso de comunidade em uma paróquia tão grande, Sherman admite, mas a chave é fazer com que as famílias se envolvam no ministério.
Talvez um dos ministérios mais importantes que St. Mary oferece se chama Ministério da Mãe da Misericórdia, cujo objetivo é “preencher as lacunas das pessoas que não possuem um sistema familiar de apoio na cidade”, disse Sherman à CNA .
Como isso funciona: qualquer pessoa pode se inscrever para a Mother of Mercy, oferecendo ou pedindo serviços que vão desde cortar gramados até levar a uma consulta médica. Ele conecta voluntários com pessoas que precisam deles e ajuda as pessoas a se sentirem como se tivessem um sistema de apoio local, disse ela.
Há grupos de jovens, grupos de jovens adultos, grupos familiares e grupos de estudos bíblicos que permitem que as pessoas cresçam em sua fé em pequenos grupos, o que fortalece a fé e sua conexão com a paróquia.
Tornou-se cada vez mais importante para os paroquianos encontrar uma comunidade de outros que compartilhem sua fé e valores, disse Sherman.
“Isto permite que você seja mais forte em sua fé se você tiver pessoas ao seu redor que o apoiem em seus valores. E isso independente se você é recém-casado ou tem 50 anos e está trabalhando com pessoas que não têm a mesma vivencia da fé que você, ou mesmo qualquer fé”, disse ela. “Você não quer sentir como o elemento estranho”.
E enquanto Dreher expressa preocupações sobre a ortodoxia de muitas paróquias e igrejas, Henning disse que são as igrejas que se concentram na liturgia e no discipulado que se revelam as melhores paróquias.
“Eles realmente são estratégicos sobre o planejamento do discipulado, eles desafiam e estimulam a maturidade espiritual de seu povo”, disse ela.
“E eles realmente se superam aos domingos. Há um intenso interesse em preparar boas homilias, eles recebem a melhor música disponível, são muito hospitaleiros. E eles realmente têm um plano de evangelização, eles entram em missão e têm uma visão e estrutura para ir além das portas da igreja”.
A oração e a Eucaristia também são centrais para as paróquias prósperas, como Simon ressalta em seu livro. A paróquia de St. Mary tem uma capela de adoração de 24 horas, acessível por código.
“A Eucaristia é a fonte da unidade para a paróquia, é a ação suprema que une todos os que a experimentam a Cristo e a oração e tradição da comunidade católica universal”, escreveu Simon.
Catolicismo na cidade: movimentos eclesiais
Outra forma popular de comunidade dentro da Igreja Católica, particularmente nos anos pós-Concílio Vaticano II dos séculos XX e XXI, tem sido movimentos eclesiais. Estes incluem grupos como Opus Dei, Focolare, ou o Caminho Neocatecumenal.
Em comentários por e-mail para a CNA, Dreher disse que não sabia o suficiente sobre os movimentos eclesiais para dizer se eles poderiam ou não constituir uma “Opção de Beneditina”. Mas eles parecem ter filosofias marcadamente diferentes quando se trata de como viver a vida cristã no mundo.
Os movimentos eclesiais buscam reconectar leigos com sua fé e evangelizar o mundo. Eles incluem uma variedade de carismas, métodos educacionais e formas e objetivos apostólicos, e enquanto eles têm bases locais, eles não estão geograficamente vinculados a um local. Muitos têm presença em países de todo o mundo.
Holly Peterson é a diretora de comunicações para a Comunhão e Libertação, um dos movimentos eclesiais que foi fundado pelo sacerdote italiano Pe. Luigi Giussani.
Quando era ainda um jovem sacerdote na Itália nos idos de 1950, onde basicamente todos iam à missa e à escola católica, o padre Giussani começou a perceber que a fé não significava nada para as experiências reais e vividas pelos jovens estudantes que ele estava ensinando. Eles passaram pelos ensinamentos da fé, mas eles não pareciam saber o que significava realmente viver uma vida cristã.
“Ele mais tarde deliberou dizendo que questionava-se se as pessoas deixaram a igreja? Ou a igreja deixou as pessoas?”, disse Peterson à CNA.
Pe. Giussani começou a levar seus alunos em retiros e excursões nas montanhas para que ele pudesse ensinar-lhes a viver uma vida de fé autenticamente integrada, muito ao estilo do Papa João Paulo II, amigo íntimo de Giussani e do movimento.
“Ele entendeu que (…) ele precisava apresentá-los à vida, porque com suas experiências de vida eles começariam a entender quem era Deus, quem era Cristo”, disse Peterson.
À medida que seus alunos cresciam e continuaram seguindo seus ensinamentos, nasceu um movimento. A adesão à Comunhão e Libertação é dada gratuitamente — não há requisitos de cadastro ou de adesão, e existem muitos níveis diferentes de associação, mas um compromisso padrão é o comparecimento nas reuniões semanais, chamada Escola de Comunidade.
Escola de Comunidade é mais do que apenas uma reunião, disse Peterson. É uma chance para a catequese, para que os membros sejam alimentados espiritualmente, mas também para desenvolver amizades cristãs que cresçam fora das reuniões oficiais. Os membros formam fortes amizades e comunidades que continuam fora das reuniões semanais. Eles saem para jantar, se ajudam como babá, fazem festas e vivem juntos.
O movimento também consagrou leigos e mulheres — chamados Memores Domini — que vivem em comunidade, mas trabalham no mundo secular. Existem médicos, cientistas de foguetes, secretários, professores e muitos outros tipos de profissões encontradas entre os membros.
Mas, independentemente do nível de associação, os membros da Comunhão e Libertação têm uma maneira marcadamente diferente de ver o mundo em relação aos entusiastas da opção Beneditina.
“Não temos medo da desgraça e das trevas logo adiante, não digo que isso seja errado, mas esse não é o nosso estilo”, disse Peterson.
“Em vez disso, desejamos mergulhar no fundo poço. Queremos estar presentes onde as pessoas estão sofrendo, queremos fazer o que o Papa Francisco nos chamou para fazer, que é ir para a periferia”.
“E a periferia não é necessariamente um bairro pobre de L.A., embora essa seja a periferia também”, acrescentou. “Minha periferia pode ser o meu local de trabalho, onde todos podem viver um pessimismo tão intenso e tão triste, onde eles não têm absolutamente nenhuma esperança diante da realidade em que vivemos”.
A Comunidade das Beatitudes, fundada na França, é outro movimento eclesial ativo. Como o nome indica, eles se esforçam para viver os ensinamentos da bem-aventurança dentro de sua comunidade. Seu carisma é eucarístico e Mariano, na tradição Carmelita.
A comunidade consagrou irmãos e irmãs, bem como várias centenas de membros leigos e amigos em vários níveis de associação, que são ativos em todo o mundo. No início, os membros leigos moravam em comunidade com os membros consagrados em grandes mosteiros na Europa que permitiam que cada vocação tivesse sua própria ala separada. Mas, mais recentemente, o Vaticano disse à comunidade que os membros leigos não devem viver diretamente com membros consagrados.
“Roma disse que os leigos devem ser verdadeiros leigos, você não fica separado”, disse a Ir. Mary of the Visitation, um membro da comunidade em Denver, à CNA.
“Então, obviamente, eles são leigos, recebem o espírito e o carisma da comunidade, são membros completos da comunidade, são parte integrante da liturgia, mas vivem no mundo”.
A Comunidade das Beatitudes, bem como a Comunhão e Libertação, se espalhou rapidamente por todo o mundo. Seus apostolados atendem as necessidades imediatas de suas comunidades vizinhas de várias maneiras — escolas, hospitais, catequese — em vez de se concentrarem em um tipo particular de ministério. Membros e amigos do movimento se juntam regularmente para refeições, liturgia, formação e serviço de fé.
Irmã Mary of the Visitation disse que, enquanto a comunidade a suporta, ela deseja convidar mais pessoas para viver uma vida seguindo as bem-aventuranças.
Embora enraizada na oração, “nós vivemos no mundo”, disse ela. “Então, se eu for dar um passeio no bairro, irei conhecer pessoas, obviamente, quando vêem meu hábito, eles vão pensar sobre Deus, mas daí então podemos conversar e aprofundar”.
A Irmã Mary disse que, por um lado, ela entende o desejo da opção Beneditina de preservar o bem e separar-se do mal. Preservar-se de muita TV, ou outras mídias inadequadas, é uma coisa boa, ela disse.
Mas ela também se preocupa de que a Opção Beneditina possa considerar aqueles no mundo como “outros”, e não como irmãos e irmãs.
“O que eu não gosto nessa idéia, é que isso significaria que o mundo é ruim, e a Opção Beneditina é boa. Mas não estamos em um filme com o mal e o bem. Estamos na realidade da vida, onde o mundo está dentro de mim, e a parte mais difícil é converter a si mesmo”, disse ela.
“E eu realmente penso que meus irmãos e irmãs do mundo, eu não posso julgá-los, não posso estar separada deles, porque não quero ir para o céu sem eles”.
Houve preocupação entre alguns que os movimentos eclesiais estão tomando o lugar da paróquia nas vidas dos membros. Mas vivido corretamente, disse Peterson, esse não é o caso — os movimentos devem servir para fortalecer as comunidades paroquiais.
“Nós tentamos estar muito envolvidos na paróquia por essa razão”, disse ela, “fazendo trabalhos de caridade, ensinando em escolas paroquiais e muitos músicos no movimento estão ativos em suas paróquias”.
Em última análise, ela disse: “Eu acho que esses movimentos são a maneira como Deus está rejuvenescendo a Igreja (…) os movimentos são chamados a dar vida às pessoas para que elas possam viver neste mundo louco”.
Mary Rezac. “Is the “Benedict Option” the only option left?”. The Catholic World Report, 27 de Fevereiro de 2017.
Tradução: Guilherme Pradi Adam

Fonte

sábado, 14 de outubro de 2017

Símbolos vikings e umbandistas: cópia ou coincidência?


Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB/NEVE)

Há alguns anos circulam pela internet algumas indagações sobre a semelhança entre símbolos mágicos utilizados pelos vikings e os pontos riscados da Umbanda e suas possíveis conexões ou influências mútuas. Em parte isso se deve à crescente popularidade dos nórdicos pela mídia televisiva, mas também pela imensa difusão de tatuagens no mundo pop, como o símbolo de um vegvisir usado pela cantora islandesa Björk em um dos braços ou pelas bandas de viking metal. Vamos esclarecer alguns pontos sobre a área nórdica e em seguida algumas considerações sobre a Umbanda, para em seguida realizarmos algumas conclusões sobre o assunto.
A cantora Björk e sua tatuagem de vegvisir
Tatuagens com ægishjálmur
Tatuagens com ægishjálmur

Símbolos vikings e renascentistas:

Em primeiro lugar, ocorre uma certa confusão com o termo viking. Os grafismos simbólicos considerados hoje em dia como vikings foram retiradas de obras islandesas escritas durante o século XVI e XVII, muito depois da Era Viking. Alguns destes símbolos realmente são nativos, conhecidos durante o período das migrações germânicas até o final do século XI, como a suástica (também utilizada por diversos outros povos euroasiáticos e relacionada tanto a Odin quanto a Thor, vide Langer, 2017) e o Hrungnisjarta a partir do século VIII. Nas fontes medievais, a palavra viking surge relacionada a uma atividade temporária, geralmente náutica e predatória e em alguns casos possui certa identidade cultural, mas no imaginário contemporâneo ela acaba sendo sinônimo de nórdico em geral (Langer, 2018). Neste caso, a aplicação do termo viking aos símbolos islandeses é equivocada.

Os símbolos mágicos que nos interessam dos grimórios islandeses (grande manuais de práticas mágicas) são especialmente o vegvisír (um símbolo mágico utilizado para as pessoas encontrarem o caminho durante tempestades ou períodos nublados) e o ægishjálmur (utilizado para proteção e feitiçaria). Somente esse último foi registrado anteriormente pela literatura durante o período medieval, mas não se conhecem imagens preservadas dele antes do século XVI. Diversos pesquisadores questionam se ele realmente teria sido utilizado pelos guerreiros em seus elmos durante a Era Viking (750 a 1100 d.C.), sendo mais visto como uma figura puramente literária e mitológica (Foster, 2017). Neste sentido, não há como comprovar ou sequer referendar o uso da expressão símbolos vikings a esses dois grafismos dos grimórios.

Ægishjálmur, Galdrakver, Lbs. 143 8vo, Islândia, 1670.

O mais antigo dos grimórios islandeses foi o Galdrabók, datado de 1600, contendo diversos encantamentos e invocações a entidades cristãs, demônios e deuses nórdicos. O material rúnico contido neste manuscrito é percebido como uma expressão nórdica tardia de tradições mágicas mediterrânicas. Muitos símbolos são variações latinas de cruzes e de runas (Macleod e Mees, 2006).

O Ægishjálmur foi citado primeiramente no Fáfnismál 16, 17 e 19 (Codex Regius da Edda Poética). Neste poema éddico, o símbolo traria vitória a seu possuidor (segundo o dragão Fáfnir), e no mesmo poema, alude-se a pertencer ao tesouro de Sigurðr, de onde se deduz que estaria gravado em um elmo. Ao mesmo tempo, essa descrição de um objeto mágico na cabeça de Fáfnir tem relação com uma tradição européia que remonta aos gregos e que sobreviveu até o fim da Idade Média: de uma pedra que os dragões possuíam em suas cabeças (snakestone ou dracontite), utilizada para fins curativos; e por outro lado, com o olhar mortífero que este tipo de monstro teria (o “olhar de fogo”). Em algumas sagas islandesas, como Sverris saga 38, o símbolo também é citado como proteção nas batalhas.

Vegvísir, manuscrito Huld, p. 60, Geir Vigfússon, Islândia, 1860.

Para o pesquisador alemão Rudolf Simek (2007, p. 2) as características terríveis do Ægishjálmur foram originadas do classicismo, derivados do grego aigis (como o escudo de Zeus e a capa de Pallas Atenas). A palavra grega aigis pode ter se tornado elmo do terror na etimologia folclórica como resultado da similaridade fonética com o nórdicoœgr, terrível. E apesar da derivação etimológica, Ægishjálmur não teria relação com o gigante marinho Ægir.

Alguns especialistas traduzem Ægishjálmur como leme do pavor ou de Æegir, devido ao seu formato nos grimórios, um círculo formado de oito braços em forma de tridentes, assemelhando-se ao leme de roda das embarcações. O problema é que esse tipo de instrumento náutico só foi conhecido na Escandinávia a partir do século XIII: os vikings utilizavam um remo transversal como leme. Como Æegir era uma divindade relacionada ao mar, talvez os eruditos nórdicos do final do medievo tenham fundido a este folclore o tridente de Netuno, explicando a sua morfologia (ou mesmo o tridente do demônio, utilizado no imaginário cristão). De qualquer maneira, não há imagens deste símbolo anterior ao século XV, e não temos como provar que existiu entre os vikings. Segundo Macleod e Mees (2006, p. 252), o Ægishjálmur foi uma forma cruzada e adaptada do símbolotvímadr, presente no calendário rúnico do século XIII.

Sintetizando, a morfologia conhecida do Ægishjálmur possivelmente foi originada de uma confluência tardo medieval entre tradições clássicas e cristãs (o tridente), aplicada a caracteres não alfabéticos (o tvímadr), não tendo relação direta com a tradição rúnica antiga.

Os símbolos de Exu
A Umbanda possui diversas manifestações visuais sagradas conhecidas como pontos riscados, em especial o da Pomba gira Menina. Um círculo (considerado o universo da perfeição); um tridente (associado a Exu), hexagrama e triângulos entrelaçados - estes sendo associados a rituais (Sampaio e Gnerre, 2012). Segundo Solera (2014, p. 31), os sinais e símbolos umbandistas correspondem a várias tradições advindas de religiosidades e diferenciadas historicamente, como o Espiritismo, judaísmo, cristianismo e etnias indígenas e africanas.

O símbolo do tridente do Exu na Umbanda é uma apropriação derivada do sincretismo religioso moderno, não tendo uma origem puramente africana (Sodré, 2009, p. 5). O Exu é uma entidade Iorubárelacionada com a fertilidade, cujos simbolismos mais conhecidos são um porte fálico, cabaças e búzios. A Umbanda possui suas origens a partir de 1908, derivada essencialmente de diversas tradições brasileiras, indígenas e africanas. Devido a fortes perseguições e associações do Exu com a figura do diabo judaico-cristão, os adeptos da Umbanda (em uma forma de resistência cultural) passaram a adotar os simbolismos típicos da tradição medieval relacionada a Satã: este orixá passa a ser representado de cor vermelha, com chifres e tridente (a exemplo do Exu das sete encruzilhadas e Exu caveira). O tridente, deste modo, foi um símbolo derivado do imaginário judaico-cristão sobre a figura de Exu, mas que recebeu outros significados adaptados, como os diversos caminhos que o orixá percorre e domina (Sodré, 2009, p. 9 e 12).

 Ponto riscado Pomba Gira Menina; Ponto riscado Exu tranca gira.

Não existem pesquisas mais detalhadas ou profundas sobre a iconografia simbólica afro-brasileira. De nossa parte, realizamos alguns levantamentos historiográficos para detectar possíveis origens coloniais dos símbolos com tridente na religiosidade popular brasileira, mas não conseguimos nenhum resultado. Analisando Souza (1986) e Calainho (2008), percebemos que os símbolos adotados por escravos brasileiros durante o período colonial são influenciados pela forma de cruzes latinas, Sol, estrelas, serpentes, caveiras e flores, mas não existe nenhuma referência a tridentes ou qualquer similitude com os ponto riscado de Exu antes do século XIX, reforçando sua origem contemporânea.

Conclusão
De um ponto de vista histórico, os símbolos islandeses e os pontos riscados dedicados a Exu não possuem qualquer tipo de conexão, influência ou aproximação. Suas similitudes são apenas frutos de uma coincidência morfológica. Ambos parecem ter sido influenciados pelo imaginário cristão, que ressignificou tradições nativas de práticas mágicas com o referencial do tridente. Outras tradições religiosas que possuem símbolos circulares com terminais tridentiformes, como a ashtánga yantra da tradição shivaista, também foram relacionados ao Ægishjálmur – mas do mesmo modo alguns pesquisadores vem descartando essa similitude, considerando uma simples coincidência (Foster, 2017).

Explicações para as similitudes entre símbolos de culturas afastadas no tempo e no espaço são populares hoje em dia, geralmente apelando para referenciais como “emanações do inconsciente coletivo” ou produtos arquetípicos, mas não passam de especulações sem bases mais rigorosas de investigação. O medievalista francês Michel Pastoreau conclama para o perigo de anacronismo constante que ronda o historiador quando estuda o simbolismo e a fragilidade da análise universalista: “O que às vezes leva – erradamente – a crer na existência de uma simbólica transcultural, apoiada em arquétipos (...) no mundo dos símbolos, tudo é cultural e deve ser estudado em relação à sociedade que dele faz uso, em determinado momento de sua história e em um contexto preciso”. (Pastoreau, 2002, p. 507).

Comparações apressadas utilizando apenas a morfologia, sem um contexto histórico e social mais rigoroso, podem criar conclusões fantasiosas como as que relacionam conexões transcontinentais entre os povos pré-colombianos e os do Velho Mundo – utilizando simplesmente a coincidência do formato das pirâmides que existem entre ambos. Os símbolos mágicos constituem um terreno ainda repleto de possibilidades para pesquisas futuras, mas os referenciais generalistas e universalistas devem ser evitados pelas próximas gerações de pesquisadores.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O Olho Que Tudo Vê

No centro do nosso crânio, no local mais protegido do corpo humano, possuímos um órgão capaz de nos conectar com o mundo espiritual e com nossos mentores extrafísicos.
Esse órgão era conhecido pelos sacerdotes das escolas de mistérios do antigo Egito e por esse motivo seu símbolo se tornou o símbolo maior da escola de ocultismo da antiguidade e um arquétipo que ultrapassou os tempos.
O Olho de Hórus simboliza o olho da consciência que está sempre desperto. O olho da consciência é o terceiro olho. O olho que tudo vê e tudo sabe. Um pequeno órgão do tamanho de uma semente de laranja, mais conhecido como Glândula Pineal — a porta capaz de nos levar ao além, ao mundo invisível de Amém, o mundo de Osíris Maior — Lord Melquesedeque.
A glândula pineal é o órgão que produz os sonhos, as visões, as clarividências, as clariaudiências, as psicografias e os fenômenos metafísicos. O mesmo olho que recebe as inspirações do mundo espiritual, as canalizações, as intuições e possibilita os músicos, artistas, cantores, cientistas, médicos e inventores a trazerem o que existe no mundo espiritual para ser manifestado no mundo físico.
O mesmo órgão que transforma pensamento em desejo, desejo em intenção e intenção em vibração, para que os sonhos verdadeiros sejam enviados para o mundo abstrato de Amém e facilitando assim, que a Lei Universal da Atração conecte as pessoas através das suas semelhanças latentes.
Portanto, a glândula pineal é o órgão sensorial mais importante e incompreendido pela ciência. Os sumos sacerdotes egípcios sabiam do seu potencial, pois a utilizavam em larga escala para promoverem curas e acessarem os mundos interdimensionais de Órion e Sirius — as moradas maiores de nossos espíritos.
A pineal vibra através das verdadeiras intenções. E tudo se une através das vibrações semelhantes. Ou seja. O que temos dentro do nosso crânio é um fantástico mecanismo de comunicação interdimensional e telepático pronto para ser usado, porém esse órgão de extrema importância infelizmente foi mutilado durante muitos séculos através das mais diversas formas de magias na antiguidade, principalmente durante a Idade Média e os processos de inquisições, onde o objetivo era manipular e condicionar o povo ao medo e a doutrina religiosa.
Os governantes e o clero da época sabiam que através desse órgão, com a abertura do terceiro olho, as pessoas acessariam outros mundos e descobririam a tão temida verdade velada. A verdade que revelaria aos povos que Deus não é aquele velho sentado sobre as nuvens, maldoso e pronto para castigar os homens e mulheres pecadores. Revelaria também outra informação de grande importância — que o diabo nunca existiu.
Mas a ânsia pelo poder e pela manipulação das massas fez com que essa extraordinária ferramenta extrassensorial fosse atrofiada através de diversos mecanismos e condicionamentos emocionais, psíquicos e mentais. Infelizmente, após séculos, eles conseguiram o que queriam e a partir daí, com a população condicionada e hipnotizada pelo medo do mundo espiritual, construíram um mundo complemente submisso e refém das condutas impositoras do pecado original.
As pessoas se tornaram tementes a Deus e ao Diabo e acabaram se transformando em reféns do medo. Incrivelmente a humanidade não conseguiu reagir e vivemos até os dias atuais condicionados da mesma forma desde a Idade Média, acreditando que existe alguém lá em cima nos céus esperando um pecado de nossa parte para nos castigar duramente caso não sigamos as normas e doutrinas pré-estabelecidas pela sociedade.
Esse projeto de poder mental vem se arrastando até hoje depois de muitos séculos de guerras e mortes infundadas. Porém, agora é chegado o momento da libertação. A livre informação veio para trazer um alento aos seres humanos, pelo menos para aqueles que almejam descobrir a verdade que há tanto tempo está escondida e sendo manipulada por poucos. Essa verdade é a única verdade que poderá libertar você das garras da ignorância e da submissão.
Essa verdade é a sua verdade. Ela está trancada a sete chaves e somente uma pessoa pode acessar o que um dia foi trancafiado. A Era de Ouro está trazendo essa oportunidade de libertação. Não somente para alguns intelectuais elitizados ou escolhidos, mas sim para todos, para todos que não aceitam mais viver num mundo de mentiras e enganações e já decidiram que desejam viver num mundo de verdades e elevação.
Se você está com este livro em mãos até este momento, significa que é uma dessas pessoas que sente que o velho mundo de mentiras está definhando e um novo mundo de elevação está se formando.
Mas você deve estar se perguntando: Por que eu tenho que me esforçar tanto para viver nesse novo mundo se as grandes mudanças talvez demorem décadas para acontecer?
Esse é o ponto principal. O (a) verdadeiro (a) iniciado (a) não teme o tempo, ele (a) sabe que o investimento que se faz em si mesmo (a) sempre será o melhor investimento.
Principalmente aquele investimento imaterial que se faz para a própria consciência, pois mesmo ele (a) não podendo vivenciar as transformações que tanto almeja, no fundo, ele (a) sente e sabe que retornará em vidas futuras para usufruir, cooperar e auxiliar na implantação e na melhoria deste mundo. O (a) iniciado (a) é um (a) alquimista da alma e navega pelas rotas da eternidade. Todos navegam sem distinção, mas o que difere o (a) iniciado (a) do (a) não-iniciado (a) é a consciência, é estar consciente e lúcido (a) sobre seus defeitos e virtudes e conhecer seus propósitos de vida e existência espiritual.

Fonte: O Segredo